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O d e s p e r t a r de uma cidade

a3 Cole[tivo] dialoga com o Ocupe Estelita

Depois de passar pelo Sítio Histórico de Olinda, marcando presença durante o Pequeno Encontro da Fotografia, o a3 Cole[tivo] dá continuidade as suas intervenções e chega ao Recife.

Nossa segunda ação foi realizada no #OcupeEstelita, localizado no Cais José Estelita, bairro do Cabanga – Recife, durante o segundo domingo (8) de junho. Dando continuidade ao trabalho “Desperte”, intervenção urbana que busca intervir e dialogar com o espaço urbano, a série de fotografias foi colocada em alguns vagões de trens abandonados e paredes do terreno, a fim de dialogar com o espaço e convidar os transeuntes a interagir e buscar o seu próprio despertar.

a3 cole[tivo] - Estelita 02

 

a3 - estelita 002

a3 cole[tivo] - Estelita 03

a3 - estelita 001

Desperte Recife! Acordar é muito pouco.

#desperte

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Intervenções urbanas – Desperte

 

Da construção simbólica à narrativa da rua – a experimentação fotográfica

Nossa primeira ação, Desperte, é realizada a partir da colagem de fotografias em preto e branco que realçam a figura feminina e o seu potencial visual. Inspirado em reflexões sobre a fotografia publicitária e sua vasta exposição no espaço urbano e a própria essência estética, produzimos um ensaio que sugere intensidade e busca desautomatizar o olhar de quem o vê. Através da repetição e da composição de mosaicos feitos com essas imagens, a proposta é ocupar o espaço público com arte. É, ainda, propor a rua como um lugar expositivo que abriga várias linguagens diferentes, além de grafite, pichações, lambe lambes, pinturas e propagandas, por exemplo. Além da busca pela experimentação existe um interesse em produzir um diálogo da fotografia com outras formas artísticas presentes no ambiente urbano.

A obra de arte reprodutível está nas ruas da mesma maneira que a publicidade. Divide espaço com outdoors, letreiros, cartazes e toda informação persuasiva que se alastra pelo espaço urbano. É a partir desse pertencimento que a fotografia ocupa o mesmo lugar. No ensaio Desperte, a imagem feminina em preto e branco sugere força plástica e esteticidade, construídas a partir de um código visual inerente a atração dos olhares do espectador/transeunte.

Se visualizadas em conjunto, as fotografias possuem linguagem uniforme, porém sentido plural. Sob elas foram aplicadas a mesma luz, na qual contrastam sombras, cinzas e brancos. Embora a escolha intencional do preto e branco indique plasticidade, intrínseca a natureza de sua composição, o objeto enfocado traz elementos subsidiados na estética. Talvez não passe de ilusão ou realidade criada, mas a imagem captada comunica. Indica mensagens e códigos subjetivos e subscritos ao universo de quem a recepciona. Nessa construção para o descondicionamento do olhar o despertar fica a cargo de cada indivíduo.

Talvez a única certeza que se fixe seja a reflexão sobre a impermanência e a ilusão. A certeza de que a fotografia nem sempre é objetivável ou retrata fielmente a realidade. E que realidade? A vendida nas diversas mídias? Digamos que ainda assim, esse lugar de convicção pode passar por questionamentos e (des) condicionamentos do olhar. Sinta, sonhe, desperte.

Acordar é muito pouco (Dulce Miller)*.

 

No ensaio Desperte, a imagem feminina em preto e branco sugere força plástica e esteticidade, construídas a partir de um código visual inerente a atração dos olhares do espectador/transeunte.

No ensaio Desperte, a imagem feminina em preto e branco sugere força plástica e esteticidade, construídas a partir de um código visual inerente a atração dos olhares do espectador/transeunte.

 

O Despertar - 1

Na construção para o descondicionamento do olhar o despertar fica a cargo de cada indivíduo.

#desperte

 

*Dulce Miller colaborou para o Desperte com a frase que aparece no stencil “Desperte. Acordar é muito pouco”. (http://www.mocadosonho.com)